Morte, não fica orgulhosa, embora alguns te achem
poderosa e temível. Não és assim.
Esses que presumes ter derrotado,
pobre morte, não morrem — e nem podes tu me matar.
Descanso e sono, imagens que só tuas podem ser,
muito prazer e muito mais devem induzir,
pois bem cedo nossos melhores homens contigo vão ter:
descanso de seus ossos e entrega de suas almas.
És escrava do Destino, da Sorte, de reis, de desesperados
e dos que convivem com veneno, guerra e doenças.
Soníferos ou feitiços podem nos adormecer também,
e melhor do que tu nos golpeiam. Porque te envaideces?
Passado um curto sono, acordaremos eternamente,
e a morte não mais existirá. Morte, tu morrerás.
John Donne (1572-1611), inglês, poeta e pastor anglicano, um dos mais proeminentes representantes da poesia metafísica inglesa.
DEATH (às vezes "Death be not proud, though some have called thee")
Death be not proud, though some have called thee
Mighty and dreadfull, for, thou art not so,
For, those, whom thou think'st, thou dost overthrow,
Die not, poore death, nor yet canst thou kill me.
From rest and sleepe, which but thy pictures bee, 5
Much pleasure, then from thee, much more must flow,
And soonest our best men with thee doe goe,
Rest of their bones, and soules deliverie.
Thou art slave to Fate, Chance, kings, and desperate men,
And dost with poyson, warre, and sicknesse dwell, 10
And poppie, or charmes can make us sleepe as well,
And better then thy stroake; why swell'st thou then;
One short sleepe past, wee wake eternally,
And death shall be no more; death, thou shalt die.
John Donne (1572-1631)
FONTE:
Holy Sonnets, X.
E.K. Chambers (ed).
Poems of John Donne, v. I. London: Lawrence & Bullen, 1896, p. 162-3.